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Com a descoberta de novo minério Tecido social poderá degradar-se em Nametil Garimpeiros ilegais dizem estar a fazer 9 a 15 mil meticais em três dias Nampula (Canal de Moçambique) - O tecido social a nível da vila de Nametil, sede do distrito de Mogovolas, na província de Nampula, poderá conhecer um grande retrocesso com a recente descoberta de uma nova área de exploração mineira, designada Mavucu 2, que dista a pouco mais de 26 quilómetros daquela vila. Trata-se de uma nova mina de «turmalina rose», cuja exploração está acontecer actualmente em moldes ilegais. De acordo com Faruk Satar, chefe do posto administrativo de Calipo, a descoberta daquele minério, nos arredores do monte Nhopera, poderá arrastar consigo inúmeros problemas de natureza social, pois, segundo ele, "esta nova descoberta vai ser um grande retrocesso, porque vai aumentar a degradação do tecido social, pois os jovens, praticamente vão deixar de fazer aquilo que eles tem como obrigação, estudar, e vão passar o tempo a praticar apenas a extracção mineira" – disse. Esta fonte do «Canal de Moçambique» referiu ainda que os jovens “a partir dai, com aquilo que vão conseguindo obter como fruto do trabalho, vão começar a criar vandalismo, o que não ajudará no desenvolvimento sócio-cultural da vila, por um lado, e da província toda, por outro”. Segundo Faruk Satar ele concentra as suas mensagens e preocupações na camada juvenil, pelo facto de ser a camada mais vulnerável em situações desta natureza. Com efeito, o chefe do posto administrativo de Calipo, em Mogovolas, apela à juventude para que não deixe de estudar, não se deixe levar por aquilo que ele considera “demagogia natural” e explica-se: “O minério um dia acaba, pelo que cada um se deve manter, tanto quanto era antes desta descoberta, para manter a posição social”. “Cada interveniente, deve começar por se auto-estimar a si próprio”, diz a propósito. O apelo à “auto-estima” tem sido uma das bandeiras do actual chefe de Estado, Armando Guebuza. Faruk Satar considera que “a valorização deste novo recurso mineral, deve ser feita com muito cuidado, pois é uma riqueza para todos nós, mas temos que saber racionalizá-la muito bem, para evitar criar mais danos do que os que já estão acontecendo actualmente”. "Exploração Ordeira" Entretanto, António Muacuante, administrador do distrito de Mogovolas, advoga a exploração ordeira daquele recurso, como única saída para a melhoria do “caos que se vive nos últimos tempos” no distrito por si dirigido. Segundo ele “este recurso sendo explorado ordeiramente, poderá gerar muitas receitas para o distrito”, e “o nível de vida subir e tornar-se razoável”. Num outro passo, o administrador Muacuante, afiançou que o comportamento que se vive nos últimos tempos naquela vila sede, não dignifica a população, pelo que apela aos exploradores ilegais, para que “parem com a exploração desordeira, porque isso não nos dignifica”. “Estamos a desorganizar o solo e isto poderá prejudicar de forma significante as futuras gerações”, refere. O administrador de Mogovolas, considera entretanto que o nível do custo de vida no seu distrito “é estável, mesmo com a situação desagradável que se vive com a descoberta da mina de turmalina”. Enquanto isso, os garimpeiros ilegais provenientes de quase toda a região norte do país, e que actualmente fazem a exploração das turmalinas, dizem estar num “bem bom”. “Chegamos a fazer 9 a 15 mil meticais em três dias”, dizem. Abandono de escolas e postos de trabalho Segundo o «Canal» apurou no local, centenas de crianças e jovens estão abandonando as escolas para se dedicarem àquela arriscada actividade, sobretudo os da vila-sede e arredores. Mas também, vezes há, que os próprios pais encorajam seus filhos a optarem pela prática da actividade garimpeira, em detrimento da escola. Mateus Muriasse, um jovem de 26 anos, da região de Muatuca, falando ao «Canal de Moçambique» disse: “Eu tive que deixar de estudar para vir aqui. Estava a fazer a 5ª classe, mas como quero me casar e não tenho dinheiro vim para aqui, mas para ser sincero, a decisão foi boa, dai que em nada me arrependo”. Polícias maus Num outro passo, este mesmo entrevistado sublinhou que "o único problema que temos é com a Polícia, porque muitos deles são maus, não nos deixam trabalhar à vontade, o que não é nada bom”. O caso de Muriasse, não é isolado. Apercebemo-nos que “até menores de idade abandonam a escola para se dedicaram à exploração mineira”. Entretanto verificámos também que para além dos casos de abandono e/ou desistência da frequência escolar, igualmente, muita mão de obras está a abandonar os seus actuais postos de trabalho para se dedicarem ao garimpo de turmalinas. (Aunicio da Silva) 2008-04-10 07:33:00
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